
...e fez-me muito bem.
Ele disse-me para sair de casa... e saí. Com o meu paizão que eu adoro e que queria muito andar no comboio que passa por todas as praias da Costa da Caparica. Foi giro. E foi tão bom ver o meu pai feliz como uma criança a quem se fez o que ela tanto queria.

Passei mais uma noite acordada. O Toni também. Creio que consegui contagiar-lo com a minha insónia [perdoas-me?]. Adormecemos por volta das 4 horas e acordamos às 6. Podres, claro. Ele foi trabalhar... e eu decidi - a muito custo - continuar com os meus planos.
Ficar em casa só iria piorar a situação. A minha depressão estava insuportável e o cansaço não me dava tréguas. Só me apetecia encher-me de comprimidos e dormir... para o resto da vida.
Vesti-me e lá fui com o papi para a Costa.

Chegamos lá e apanhamos o tal comboio...
Estava um frio de rachar e eu com uma camisolinha de alças. Congelei, com é óbvio. Mas, sempre que olhava para o meu pai, com um sorriso tolo e olhinhos a brilhar, sentia-me tão feliz que depressa esquecia que estava com frio. Porque o vento, na Costa, é sempre gelado.
Vinte paragens depois, Fonte da Telha. Praia simpática, bandeira verde (vá lá... está sempre vermelha). Muitas crianças - lindas, diga-se de passagem. Muita brincadeira. Correrias. Risos.

Tirámos fotografias, tentámos ir à água (fria, muuuiito fria, como é costume, unff...), falámos de tudo e de nada...
Entretanto, o meu pai foi dar a volta do costume. Fiquei uma hora sozinha. Com o mar. Com o sol. Com a brisa fresquinha envolvida em maresia.... E com a velhota simpática que estava atrás de mim. E os miúdos ali ao lado...

- Ó mãe olha ele...
- Deixa a tua prima em paz...
- Foi ela!
-Sara! Não te metas com o teu primo, faz favor.
O sol estava quente. Tentei, mais uma vez, entrar na água (estou a precisar tanto de nadar...). Fria? Não!!! Com-ple-ta-men-te-ge-la-da!
O meu pai chegou e resolvemos que estava na hora de ir embora.
O comboio ía cheio. Um grupo enorme de senhoras e senhores de Carnide. Muito alegres, diga-se.

E cantaram, bateram palmas, meteram-se com todas as pessoas que viam: inclusivé os nudistas. Sim. Nudistas. As senhoras, principalmente! Coitados... eles, bem se escondiam atrás dos arbustos... não lhes valeu de nada (eu até tirei fotos, eh, eh...).

O meu pai - como um menino solto na Disneylandia - cantava, ria alto, batia palmas, acenava a todos... que bom vê-lo assim, tão feliz (fez-me tão bem...).
Fomos almoçar ao Panças. Comi como uma alarve. Costeleta de novilho grelhada. Enorme. Comi um terço, se tanto. Sobrou. Trouxe para casa (como é tradição daquele restaurante).
O meu pai deixou-me em casa. Feliz da vida. Eu estava cansada. Mas um cansaço bom...
Tomei um banho, exibi-me ao espelho: estou com uma corzinha!!! Há anos que o sol não tocava a minha pele! Fui-me deitar... e dormi.
Acordei. Sentia-me bem. Como há muito não me sentia.

Obrigada, pai...
[Obrigada HB.]