Aqui está a minha vida...

... esta areia tão clara com desenhos de andar dedicados ao vento.

Cecília Meiréles

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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Ontem o meu pequeno almoço...







...foi diferente,
patrocinado pela
minha querida Fê...








Aliás, todo o meu dia - que foi fenomenal - foi patrocinado pela minha amiga. Passeámos, conversámos, almoçámos* ... já não estávamos juntas há algum tempo. Juntas, fisicamente, claro.

Porque estamos sempre juntas entre um Voo e o outro...

Obrigada, amiga querida: pelo Crepe de Frutos Silvestres e Gelado de Framboesa, pela companhia, pelas palavras amigas... por estar sempre aí... mana do meu coração.

[O almoço foi Arroz de Cabidela, que eu cá, já que é para tirar a barriguinha de misérias, que seja em grande]

terça-feira, 24 de novembro de 2009

A arte de ser feliz

Houve um tempo em que a minha janela se abria para um chalé. Na ponta do chalé brilhava um grande ovo de louça azul. Nesse ovo costumava pousar um pombo branco. Ora, nos dias límpidos, quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o pombo parecia pousado no ar. Eu era criança, achava essa ilusão maravilhosa e sentia-me completamente feliz.

Houve um tempo em que a minha janela dava para um canal. No canal oscilava um barco. Um barco carregado de flores. Para onde iam aquelas flores? Quem as comprava? Em que jarra, em que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? E que mãos as tinham criado? E que pessoas iam sorrir de alegria ao recebê-las? Eu não era mais criança, porém a minha alma ficava completamente feliz.

Houve um tempo em que minha janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira alargava sua copa redonda. À sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo o dia sentada uma mulher, cercada de crianças. E contava histórias. Eu não podia ouvir, da altura da janela; e mesmo que a ouvisse, não a entenderia, porque isso foi muito longe, num idioma difícil. Mas as crianças tinham tal expressão no rosto, a às vezes faziam com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu participava do auditório, imaginava os assuntos e suas peripécias e me sentia completamente feliz.

Houve um tempo em que a minha janela se abria sobre uma cidade que parecia feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre homem com um balde e em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma regra: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.

Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.


Cecília Meiréles

Num comentário ao meu último post, um querido amigo, o Miguel, deu-me a conhecer um trecho deste belíssimo texto de uma das minhas autoras de eleição. Eu adoro Cecília (creio que todos sabem disso), mas não conhecia A Arte de Ser Feliz.

Aqui deixo o texto na sua íntegra. É, simplesmente, fabuloso... obrigada, Miguel.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A minha muito querida amiga Fê contou-me um...


@

...segredo

Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho
Novo.

Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar...

Miguel Torga

Obrigada amiga... por tudo...

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Hoje estou lamechas...

Ontem, em tons de brincadeira disse à minha mãe que Deus deveria estar muito chateado comigo. Depois de estar 25 dias com uma crise de EA, a FM resolveu aparecer em força, de domingo para segunda e na terça, como se não bastasse isto tudo (as remanescências da EA e a FM), eis que tenho uma crise de Ménière como há muito não tinha (a última vez foi em Janeiro) com a pior dor de cabeça que se possa imaginar, dores de ouvidos e muitas tonturas.

Eu sei que Deus não tem rigorosamente nada a ver com tudo isto que se anda a passar comigo. Mas, que raio... tudo ao mesmo tempo?

O que me vale é que tenho a minha família, como sempre, ao meu lado ( e, agora com novos elementos lindos que me dão a maior força: a minha querida sogra, a minha cunhada quida, o meu cunhado que faz-me as vontades todas, as sobrinhas do Toni que são umas fofas...). Os meus amigos, também estão sempre pertinho de mim (mesmo que longe). Por isso, as dores tornam-se pequeninas... porque o Sol brilha lá fora - mesmo que não se veja por causa das nuvens: ele está lá.

As vossas mensagens de força, os vossos comentários nos meus blogs, os telefonemas têm sido muito, mas mesmo muito, importantes para mim. Dão-me força e mostram-me que tudo vale a pena, mesmo tropeçar numa ou noutra pedra que encontremos no caminho. Tenho os joelhos um bocado esfolados dos tropeções dos últimos meses... mas as esfoladelas estão todas cobertas de pensos rápidos super coloridos repletos de beijinhos de todos os que me rodeiam (eu não disse que estou lamechas?).

Obrigada a todos, do fundo do meu coração... voçês são todos muito lindos e adoro-vos!
 
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