Aqui está a minha vida...

... esta areia tão clara com desenhos de andar dedicados ao vento.

Cecília Meiréles

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domingo, 7 de março de 2010

Hoje foi um daqueles dias...





Este blog faz um ano.






Um ano e tanta coisa se passou... tanta que, muitas vezes, me questiono como foi possível, num só ano, a minha vida ter dado esta volta que deu.

Há, exactamente, um ano, quando criei este blog, eu era tão diferente.

[será possível alguém mudar desta forma?]


Este blog foi criado porque eu precisava de criar um mundo onde me sentisse segura. Longe de tudo e de todos. Onde pudesse ser só eu. Mais ninguém. Eu não queria falar, conhecer, confratenizar... com ninguém.

[aliás, no início, este blog era só para mim... aos poucos é que o tornei público, permiti comemtários, adicionei a aplicação seguidores]

Acabou por acontecer exactamente o contrário. Conheci uma miríade de pessoas lindas, criei amizades (daquelas raras, que só se conquistam com muitos anos de partilha)...

Hoje, foi um dia importante... [além de ser o primeiro aniversário deste blog] a minha mãe - que detesta fazer anos, que entra em depressão dois meses antes do seu aniversário, que nos proíbe até de proferir a palavra parabéns - fez uma festa para comemorar o seu aniversário.

Juntou a família e... foi bom. Muito bom mesmo... Há mais de dez anos que não acontecia algo assim.

Hoje, quando olhava para os meus priminhos, sentia uma mistura estranha de alegria e tristeza. Alegria porque eles estavam ali, lindos... grandes e tão lindos... tristeza porque não os vi crescer. Porque é que teve de ser assim?

Não interessa o que se passou. Já está passado. O que interessa é o que está para vir.

[hoje foi um daqueles dias que mexem comigo, emoções escondidas - lá fundo - vieram à tona, as feridas, fechadas com um sorriso... foi como se tivesse fechado um ciclo]

Acabaram os dias de doença, de inimizades, de dor (física e psicológica).

Hoje é um novo dia...

Parabéns... mãe, blog... e para mim...

segunda-feira, 1 de março de 2010

Quando eu mudo em mim...

@

...o mundo muda para mim.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Start again with the sun...

Hoje é um bom dia para começar tudo de novo...
o Sol brilha tanto...
e está tão quentinho.

[vou continuar com as minhas limpezas... é uma espécie de limpezas de Primavera antecipadas. Pode ser que assim, a Primavera chegue mais cedo.]

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Sinto-me...


...assustada.

Eu sempre gostei de trabalhar. Comecei cedo. Adorei cada emprego que tive. Vivia para o trabalho. Era uma verdadeira adicta. Uma workaholic.

Deixei de trabalhar em Março de 2006. Já não conseguia mais. Voltei ao trabalho em Maio de 2008, mal a minha doença me deu tréguas. Mas... não fui para um trabalho "normal". Com pessoas. Pessoas crescidas... digo. Há quase dois anos que trabalhado com pessoas pequeninas. Aprendi, não só a tratar delas, aprendi a amá-las.

Esta última semana não tem sido fácil para mim. Mas, descobri que não é só o facto de deixar os meus pitocos que me está a deixar assim. A partir do próximo mês, eu vou voltar a trabalhar com pessoas crescidas. E isso, está a deixar-me assustada.

Eu gostava muito de socializar. Eu era daquelas que estava sempre a sorrir, com quem todos podiam contar, que nunca se queixava. E, por isso, muitos foram os que abusaram. Que me fizeram sofrer, ao ponto de cair no esgotamento que despoletou a minha doença.

Hoje, estive mal o dia todo. A minha vesícula não me deixa em paz, há cerca de uma semana. Tirei a tarde, vim para casa e deitei-me. Estava exausta. E chorei. Muito.

Porquê? Afinal: eu estou curada de uma doença dita incurável, tenho os meus amigos, a minha família, o meu Toni, a minha Luna e o meu João. Vou começar uma nova etapa. Escrever um novo capítulo no livro da minha vida...

Então, porquê? Porque eu estou com medo. De enfrentar o mundo lá fora. As pessoas crescidas. As pessoas crescidas conseguem ser muito más, de vez enquanto...

Estou com tanto sono... vou dormir.

Até amanhã...

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Ando a falar tanto em mudanças... venha de lá mais uma... a derradeira.


Os meus planos, para este ano, passavam por uma mudança de emprego. Lá para Setembro, quando o meu mais velhinho entrasse para a escolinha. Decidi que só iria continuar com as crianças até lá. Porque estava na hora de mudar. Não porque eu tenha deixado de gostar de estar com eles, muito pelo contrário. Mas por uma série de razões que me levaram a esta, tão difícil, decisão.

O meu mais velhinho conseguiu a última vaga de um infantário mesmo ao lado da casa dele. Mas, não é para entrar em Setembro. É já para o início de Fevereiro. Daqui a quinze dias.

Falámos com os pais dos outros pitocos e, também, eles estão encaminhados.

Quinze dias. Daqui a quinze dias, vou ficar sem os meus pitoquinhos... já sinto tanto a falta de cada um deles...

Cada um, tão especial...

Esta foi uma experiência linda que eu adorei e dou graças por tê-la tido. Aprendi tanto com os meus bebés...

Não vou dizer que foi sempre fácil. Tomar conta de crianças, não é fácil. Lidar com alguns pais é, ainda menos, fácil (sim... os pais conseguem dar muito mais trabalho que os bebés). Mas, adorei cada dia, cada momento que estive com os meus pitocos. As vitórias deles eram as nossas vitórias, as suas alegrias, as suas tristezas, os seus medos... nossos, também.

Como irei preencher o espaço enorme que ficará vazio no meu coração? Sem a minha princesa, o meu mais velhinho, o meu gôdo...

A mudança é...

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Obrigada a todos pelos vossos comentários




Tal com disse no título do post anterior,
ainda não estou em mim.
Tudo tão... que nem sei.





O que eu sei é que ontem, o meu almoço foi uma canjinha de galinha e o meu jantar foi um creme de abóbora, cenoura e batata. Também "roubei" uns palitos de batata frita ao Toni e está tudo bem.

Cada vez mais acredito que tudo depende de nós. Contudo, não sou da opinião que todas as pessoas têm que conseguir fazer exactamente o mesmo caminho. O que importa é a meta. Alcançar a meta. Como foi feito o caminho? Isso o que interessa? Só a meta...

O segredo está em nós. A resposta está em nós. Há que procurar, ir ao nosso íntimo e querer muito.

Se a resposta está numa dieta, numa injecção ou no nosso subconsciente, isso é pouco relevante. Importa encontrar a resposta, seja ela qual for.

[o livro que eu li: O Segredo de Rhonda Byrne]

Um beijo de muito obrigada por tudo... meus queridos amigos: eu adoro-vos e sem vós nada disto teria sido conseguido.

sábado, 21 de novembro de 2009

Da mais alta janela da minha casa

[fotografia tirada da janela do meu quarto]

Da mais alta janela da minha casa
Com um lenço branco digo adeus
Aos meus versos que partem para a Humanidade.

E não estou alegre nem triste.
Esse é o destino dos versos.
Escrevi-os e devo mostrá-los a todos
Porque não posso fazer o contrário
Como a flor não pode esconder a cor,
Nem o rio esconder que corre,
Nem a árvore esconder que dá fruto.

Ei-los que vão já longe como que na diligência
E eu sem querer sinto pena
Como uma dor no corpo.

Quem sabe quem os terá?
Quem sabe a que mãos irão?

Flor, colheu-me o meu destino para os olhos.
Árvore, arrancaram-me os frutos para as bocas.
Rio, o destino da minha água era não ficar em mim.
Submeto-me e sinto-me quase alegre,
Quase alegre como quem se cansa de estar triste.

Ide, ide de mim!
Passa a árvore e fica dispersa pela Natureza.
Murcha a flor e o seu pó dura sempre.
Corre o rio e entra no mar e a sua água é sempre a que foi sua.

Passo e fico, como o Universo.

Fernando Pessoa


[Hoje olhei, pela última vez, pela janela do meu quarto. Despedi-me da Primavera, da Assunção, da Jane e do Joe, da Luna e da Nina, lindos elefantes que me fizeram companhia ao longo deste último ano e meio. Aprendi tanto com eles... aprendi que seres enormes, com uma força bruta conseguem ser tão ternos quando ensinam as suas crias. Aprendi que quando um deles está frágil todos se juntam e ali ficam, como se em prece pelo seu ente querido que sofre. Aprendi que há horas para brincar, horas para aprender, horas para Ser.

Despedi-me, ainda, de todos os outros animais que conseguia ver da janela do meu quarto: dos leões, das girafas, dos lemúres, dos flamingos e dos hipopótamos. E, despedi-me também de todos os outros (aqueles que não conseguia ver da janela do meu quarto, mas que sei que estão lá, porque eram eles que me davam os bons dias, as boas noites, que me animavam com os seus cânticos...

Um dia destes, quando as fotografias já não forem suficientes para acalmarem a minha saudade, irei visitar esta grande família que, durante este tempo todo, fez parte da minha família (e estará sempre dentro do meu coração).]

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Amanhã...


...faz uma semana que estamos na nossa casa. Está tudo a correr muito bem. Consegui arrumar quase tudo, graças à minha mãe: ela tem ficado com os pitocos, durante as tardes. Assim, com as tardes livres, foi-me bastante mais fácil arrumar e organizar tudo. O meu pai também ajudou muito: nas mudanças, nos pequenos arranjos aqui e ali, em tudo e em mais alguma coisa. Obrigada, Mãe e Pai! Sem vocês não teríamos conseguido!

Amanhã é sábado... estou tão, mas tão cansada... amanhã, tenho mesmo que me obrigar a descansar. Emagreci imenso, nestas duas semanas, sinto-me exausta e cheia de dores.

Mas... estou muito feliz, com a nossa casinha.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Keys over Hands...

Já temos as chaves da nossa casa!

Não foi fácil: procurar, escolher, visitar... e voltar a procurar! Mas, valeu a pena! Porque a nossa casa nova é linda!

A rubrica Da Janela do meu Quarto vai desaparecer, é verdade... vou ter saudades dos nossos vizinhos trombudos, dos leões ao sol, dos hipopótamos de boca aberta, das girafas sempre a pedir comida aos visitantes, dos lemúres saltitantes e da magnífica dança dos flamingos. Mas terei sempre as fotografias e os vídeos que fiz. E posso sempre fazer uma visitinha...

Agora... toca a continuar a desarrumar e empacotar o que falta... Novembro vai ser um mês daqueles e eu estou desejosa que ele chegue!!!

Este Natal vai ter um sabor diferente :)

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Quando o Corpo Fala...

Estes últimos meses têm sido assim, uma torrente de sentimentos envolvidos em dor. Porquê? Perguntei-me, vezes sem conta... como se eu não soubesse a resposta.

"A Susana sabe que a sua meta é por determinado caminho... contudo dá voltas e mais voltas e acaba por andar sempre perdida."

Alguém me disse isto, há muito tempo atrás. Eu, sinceramente, continuo sem saber que caminho é esse. Ou que meta. Só sei dizer que tenho cada vez mais a certeza que o caminho não é aquele que teimei tanto em percorrer.

Mas é tão difícil mudar... ou serei, somente, cobarde? As mudanças assustam-me. Porque eu nunca gostei de mudanças - acho que é por ser do signo Touro, não sei. Tenho medo que tudo corra mal. E se correr? O que faço depois?

Mas o meu corpo - espelho da minha mente - grita. Grita porque até aqui, não tenho querido ouvir.

Ontem, estive com uma amiga do coração. Contei-lhe das mudanças que estão para acontecer, de como está tudo programado. Foi uma manhã bem passada - deveria acontecer muitas mais vezes.

Ao longo do dia, contudo, as dores intensificaram-se de uma tal forma que nem sei como consegui estar o resto do dia. Eu só recorro aos analgésicos quando a dor ultrapassa em muito o suportável. Eu desenvolvi uma grande resistência à dor. Só choro quando alcanço o ponto em que fingir torna-se completamente impossível.

Ontem, tive que voltar aos analgésicos... voltei a chorar de dor. Porque dói tanto.

Mas, o que se passa? Porque é que andas assim? Não sei, Toni. Não entendo... só sei que já não aguento mais tanta dor.

Mais aparelhos, pomadas, choques eléctricos...

Tive uma noite muito agitada. Os meus ouvidos pareciam que iam rebentar de tanta dor.

De manhã, fez-se um click (aliás, este click tem-se manifestado todos os dias, eu é que não lhe tenho dado qualquer importância). Dores de ouvidos (nos último meses, têm sido mesmo muito fortes), dores de costas (in-su-por-tá-veis), dores nas pernas e joelhos, pequenos acidentes como queimaduras ou cortes (constantes). Eu já estive assim...

O meu corpo está a falar comigo e eu não posso continuar a ignorá-lo. Porque mesmo sabendo que a mudança já está a acontecer, eu ainda continuo reticente em muitos aspectos.

Começar a mudar não foi fácil, mudar não é fácil... mas sei que é para continuar.

Aos poucos, passo a passo... sei que encontrarei o melhor caminho para chegar à tal meta. Consegui-o com a EA. Conseguirei, concerteza, com tudo o resto na minha vida.

[quando o corpo fala... aqui]

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Because I can...

#i can read

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

E para a vida dar a tal volta...



Estou tentando abrir um túnel na rocha bruta.



Eu sei, sei que é penoso. Mas qual é a busca que em si mesma não traga sua pena?

Clarice Lispector

sábado, 5 de setembro de 2009

One Last Cry...


Dizem que o tempo apaga tudo. Eu nunca acreditei em tal. O tempo pode atenuar a dor, a saudade. Apagar? Não. Jamais...

Mas, descobri que existe algo que cura...

Apesar de ser reikiana há cerca de dez anos, nunca me dediquei muito ao Reiki. Sempre que era necessário uma doação de Reiki, eu fazia-lo . Mas era muito raro fazê-lo em mim mesma. Não sei porquê... afinal, sempre me senti muito bem a doar Reiki.

Faz um mês - no próximo dia oito - que a minha avó faleceu. Foi um dia muito complicado... extremamente longo. Quase insuportável.

Ficámos no velório até tarde. Ao regressarmos a casa da minha avó - onde iríamos pernoitar - passamos pelo meu primo mais novo. "O D. deve estar a chegar", disse à minha mãe.

O D. está a chegar... O meu coração deu um salto e conseguiu ficar ainda mais apertado. Mais angustiado. Há muitos - tantos - anos que não via o meu mano que tanto adorava... que tanto me tem feito chorar nos últimos sete anos.

Os meus pais foram-se deitar e eu também. Estávamos completamente exaustos. Fiquei no pequeno sofá da marquise. Fechei os olhos. A intensidade da minha dor de cabeça aumentava a cada minuto que passava (as minhas famosas dores de cabeça escolhem sempre muito bem a altura para aparecerem). O meu coração estava completamente alterado, as palpitações pareciam que iam rebentar com o meu peito. Sentia-me a enlouquecer. O timming perfeito para uma crise de pânico... e eu sem os meus florais.

Quando me apercebi que os analgésicos não me estavam a fazer nada e que o meu estado parecia agravar cada vez mais, lembrei-me do Reiki.

Apelei à energia do Reiki, coloquei uma mão na cabeça e outra no coração. E assim fiquei. Chorei muito... mas a dor começou a atenuar. As batidas do coração abrandaram, deixei de ouvi-las na minha cabeça. Começei a acalmar. Sentia o Reiki a fluir como uma torrente enorme. Parecia que o meu corpo - a minha alma - começava a recuperar.

Lá fora, o ruído de um carro a chegar. As luzes acederam-se. Vozes. O meu primo tinha chegado. Era ele, lá fora.

Com as duas mãos no peito, continuei a rezar. A apelar à energia amorosa do Reiki que me ajudasse.

Adormeci... com as luzes da varanda da minha tia acesas, com as vozes dos meus primos a conversarem pelo resto da noite que sobrava.

No dia seguinte, tudo de novo. O meu primo estava no cemitério, ao lado do meu tio. Mas, desta vez, eu estava mais calma. Quando o vi, lá longe, coloquei uma mão no peito e, novamente, apelei à energia amorosa do Reiki. Para que me ajudasse, para que acalmasse o meu coração.

Quando cheguei ao cemitério, dirigi-me ao meu primo e abracei-o. Ele recusou o meu abraço - tal como no meu sonho - mas eu agarrei-o e chorei.

Não sei explicar o que aconteceu. Só sei que aconteceu.

A partir dessa hora, não mais chorei por ele. Chorei a partida da minha avó, chorei porque o meu pai e a minha mãe choraram e eu não suporto vê-los chorar, chorei porque não resisti ao delicioso Trigo de Favaios que acordou a minha espondilite, chorei porque comi um Magnum Branco que dá umas dores extremamente fortes... mas, pelo meu primo, não voltei a chorar. Porque sinto-me em paz com ele.

Sinto que - agora - está tudo bem.

O que mudou? Não sei. Só sei que mudou tudo o que sentia cá dentro. No meu coração, na minha alma.

O Reiki cura. Cura o corpo físico, mas não só: cura o mental, o espiritual.

Acredito que há algo mais na relação que tenho (ou tinha) com o meu primo. Acredito que esse algo mais vem de longe. Muito longe, de uma outra vida talvez.

Seja como for, hoje, sinto-me em paz. Seja lá o que for que tenha acontecido - nesta ou numa outra vida, quem sabe - ficou resolvido naquele dia, no cemitério.

E estou grata por isso. Obrigada à energia do Reiki e a todos que estão envolvidos na cura.

Obrigada a mim mesma porque me permiti essa cura.

sábado, 29 de agosto de 2009

 
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