
Ontem, numa reportagem da SIC, falava-se de desemprego. Este desemprego, porém, era um desemprego diferente.
Parece que o único denominador comum entre os ex-executivos e/ou ex-quadros de empresa e os outros desempregados é o facto de terem de se dirigir aos centros de emprego. Tudo o resto que se segue é diferente.
Fiquei a saber que os primeiros, quando despedidos, têm toda uma máquina que os auxilia em vários aspectos, de modo a que este novo estatuto não se prolongue por muito tempo e, acima de tudo, para que a sua auto-estima não seja afectada. Após o despedimento, estes desempregados são encaminhados para uma empresa que os ajuda na requalificação de competências entre outras coisas.
A Universidade Nova de Lisboa também contribui com formação gratuita e tem como objectivo desenvolver o potencial em gestão. Além do curso ser gratuito, estes formandos têm acesso gratuito à formação, materiais, refeições e certificado.
Um dos responsáveis por este projecto, com um sorriso nos lábios e de olhos a brilhar, dizia que estes formandos "são pessoas de qualidade que estão com professores de qualidade numa universidade de qualidade". O seu sonho, segundo suas palavras, era que estes homens e mulheres conseguissem retomar em breve a sua vida de executivos ou que conseguissem ter o seu próprio negócio..."e que daqui a algum tempo dissessem que foi naquele verão chuvoso que mudaram as suas vidas".
"Este país é só líricos"... resmungou o Toni. Sim, acenei com a cabeça.
Há muitos anos atrás - era eu uma criança - o canal 1 (único, na altura) passou, por várias vezes, um filme animado titulado "O Triunfo dos Porcos". Lembro-me que a minha irmã ainda não existia, eu tinha que ter menos de 10 anos. Aquele filme era muito triste: uns porcos maus comiam muito enquanto os outros animais morriam de fome. E, o pior, é que no fim matavam aquele cavalo velhinho, coitadinho.
Eu era demasiado jovem e inocente para compreender a mensagem de George Orwell. Contudo, nunca esqueci aquela frase (apesar de não compreender o seu significado) que os porcos repetiam constantemente.
Essa frase está cada vez mais presente na sociedade de hoje. O que eu não sabia era que, até no desemprego "todos os animais são iguais, mas uns são mais iguais que os outros"...
Um aparte: eu não estou, de modo algum, contra estas iniciativas. O que me revolta é que não seja para todos...




