Aqui está a minha vida...

... esta areia tão clara com desenhos de andar dedicados ao vento.

Cecília Meiréles

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sexta-feira, 10 de julho de 2009

Desempregados executivos VS todos os outros...


Ontem, numa reportagem da SIC, falava-se de desemprego. Este desemprego, porém, era um desemprego diferente.

Parece que o único denominador comum entre os ex-executivos e/ou ex-quadros de empresa e os outros desempregados é o facto de terem de se dirigir aos centros de emprego. Tudo o resto que se segue é diferente.

Fiquei a saber que os primeiros, quando despedidos, têm toda uma máquina que os auxilia em vários aspectos, de modo a que este novo estatuto não se prolongue por muito tempo e, acima de tudo, para que a sua auto-estima não seja afectada. Após o despedimento, estes desempregados são encaminhados para uma empresa que os ajuda na requalificação de competências entre outras coisas.

A Universidade Nova de Lisboa também contribui com formação gratuita e tem como objectivo desenvolver o potencial em gestão. Além do curso ser gratuito, estes formandos têm acesso gratuito à formação, materiais, refeições e certificado.

Um dos responsáveis por este projecto, com um sorriso nos lábios e de olhos a brilhar, dizia que estes formandos "são pessoas de qualidade que estão com professores de qualidade numa universidade de qualidade". O seu sonho, segundo suas palavras, era que estes homens e mulheres conseguissem retomar em breve a sua vida de executivos ou que conseguissem ter o seu próprio negócio..."e que daqui a algum tempo dissessem que foi naquele verão chuvoso que mudaram as suas vidas".

"Este país é só líricos"... resmungou o Toni. Sim, acenei com a cabeça.

Há muitos anos atrás - era eu uma criança - o canal 1 (único, na altura) passou, por várias vezes, um filme animado titulado "O Triunfo dos Porcos". Lembro-me que a minha irmã ainda não existia, eu tinha que ter menos de 10 anos. Aquele filme era muito triste: uns porcos maus comiam muito enquanto os outros animais morriam de fome. E, o pior, é que no fim matavam aquele cavalo velhinho, coitadinho.

Eu era demasiado jovem e inocente para compreender a mensagem de George Orwell. Contudo, nunca esqueci aquela frase (apesar de não compreender o seu significado) que os porcos repetiam constantemente.

Essa frase está cada vez mais presente na sociedade de hoje. O que eu não sabia era que, até no desemprego "todos os animais são iguais, mas uns são mais iguais que os outros"...

Um aparte: eu não estou, de modo algum, contra estas iniciativas. O que me revolta é que não seja para todos...

Já alguém provou..






... os novos chocolates Milka?





Que bom para vocês :\

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Vais estudar muito para seres doutora advogada...

...vens viver para aqui e vais ser muito rica!"

Mas porque é que eu não dei ouvidos ao meu tio-avô?!

Porra!

Se eu não fosse uma menina muuuiiito bem educada...





...diria: WTF???





Enfermeiros e médicos deste país: mas vocês estão todos doidos??? (esta última frase leia-se sublinhada)

O meu pequeno de 4 anos e meio acabou de chegar e, numa euforia típica dele sempre que faz uma grande habilidade, atropelando tudo que é palavra diz-me que não usou fralda nem hoje, nem ontem, nem na sexta.

Quê??? A mãe M. conta-me que o filho já não usa fralda para dormir há três noites... "Desculpa, o quê? Há mais de um ano que o menino não usa fralda, nem para dormir... que conversa é essa???" (mas será que a privação de sono está a alterar assim tanto a minha capacidade de raciocínio ou foi mesmo isso que eu ouvi?)

"Ah, bem... lá em casa ele ainda usa fralda para dormir porque a enfermeira disse que era para continuar a usar fralda. Eu disse-lhe que o menino já não precisava mas ela insistiu porque sim, para ele dormir sem preocupações e não sei o quê. Eu voltei a dizer-lhe que na ama ele já não usa fralda há mais de um ano e ela virou-se para mim, toda arrogante e disse que se eu queria ter máquinas e máquinas de roupa para lavar que, então, tirasse as fraldas ao menino".

Eu sei que o meu fígado, porque blá, blá, blá raiva, está muito alterado, por isso, mesmo sendo uma menina muuuiito bem-educadinha, eu não consigo conter-me (desculpa mãe, eu sei que não foi esta a educação que me deste), então lá vai: WTF???

[Já não chega os médicos terem acordos com as farmacêuticas - e mais recentemente descobri que também fizeram um acordo com a empresa que fabrica a Bolacha Maria - agora são os enfermeiros que têm acordos com a indústria das fraldas e das toalhitas???]

... acho que preciso de um xanax, por favor...

(ou isso, ou um sofá do psicólogo porque eu estou, nitidamente, a enlouquecer com tanta estupidez gratuita!)

No fim de tudo, dormir.*

Clarice Lispector diz que "perder-se também é caminho". Eu posso dizer que estou num caminho, se certo ou não, não me perguntem que eu não sei a resposta. O que sei é que há muito tempo que não me sentia, assim, tão perdida.

Hoje não adormeci tarde nem não acordei cedo. Simplesmente, não dormi.

Quando eu digo "esta noite, não dormi" não quero com isso dizer que dormi mal ou que estava sempre a acordar nem tão pouco que tive muitos pesadelos ou que foi uma noite muito inquieta. Não. Quando eu digo "esta noite, não dormi", quero dizer isso mesmo: não dormi, não cheguei sequer a fechar os olhos. Limitei-me a ficar 6 (ou seriam 7) horas a olhar para o tecto vazio da sala (hoje dormi, digo, passei a noite no sofá) a contar - não, não foram carneirinhos - as badaladas do relógio de sala da vizinha do lado (relógio horrivel, igual àquele que - apesar de avariado - ainda está na sala da dos meus pais, vá-se lá saber porquê).

O problema arrasta-se há muito: não dormi hoje, nem ontem... ou em qualquer noite da semana anterior. O pior é que a privação de sono afecta-me a todos os níveis. Não consigo racicionar, não consigo agir. E fico de mau feitio. Isto porque o meu fígado fica alterado e, como o fígado blá, blá, blá raiva, eu fico insuportável.

Não tenho paciência para nada. O meu senso de humor desaparece e eu encarno o elefante meu vizinho: ponho uma tromba no lugar da minha cara.

Se eu pedir muito, muito... mas mesmo muuiito... que não olhem para mim, que não me dirijam a palavra, que sequer se lembrem que eu existo... será que me fazem esse favor???

Pleeeaaase?....

Obrigada.

* Álvaro de Campos
 
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