
... ou não.
Eu e o Samuel fomos passear o João ao jardim... e fomos "corridos" a chuva de pedras por dois miúdos instigados por uma terceira.
Idades? Para aí uns treze, não mais que isso.
O Samuel? Ficou a tremer todo...
Eu? Também tremia...
A minha vontade?
Não digo. Seria muito mas mesmo muito politicamente incorrecto.
Mas que crianças são estas?!
[Ainda tentei dizer-lhes que tinha um bebé ao meu lado... mais pedras... lembrei-me dos meus tempos da preparatória... tinha dez anos, era uma menina. De noite, eu rezava. Se Deus tinha parado o mundo para aquela batalha - uma história que tinha ouvido na catequese - também podia fazê-lo parar se eu rezasse muito. Mas, nunca parou. E, todas as manhãs, lá ía eu para a escola, cheia de medo. Um dia, consegui fugir delas - um grupinho de miúdas giras super populares que até andavam na ginástica do Benfica e tudo! - e corri até ao pé dos meus professores e contei-lhes que a M.J. tinha lá ficado, que eles tinham que nos ajudar... mas não quiseram saber... e... eu não tive coragem de voltar... e não há um dia sequer que eu não me lembre que abandonei a minha melhor amiga às mãos daquelas miúdas giras super populares que até andavam na ginástica do Benfica e tudo, sem que me sinta uma imensa vergonha e uma profunda tristeza.]


