Aqui está a minha vida...

... esta areia tão clara com desenhos de andar dedicados ao vento.

Cecília Meiréles

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sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Houve uma espécie de incêndio no prédio da minha mãe e\ou como duas tias reagiram à coisa...

Vinham duas tias - projectos-de-senhoras-sei-lá - a subir as escadas a pé, porque os elevadores estavam parados devido à dita espécie de incêndio.

Tia nº1: Que fumo... o que aconteceu? Foram os miúdos?

Tia nº2: Foram os miúdos, foram???

[Sim, estúpidas: foram os miúdos. É que os meus meninos que têm entre 1 a 4 anos andam a brincar com torradeiras e conseguiram provocar um curto-circuito na cozinha do andar de baixo e puseram tudo a arder!!! Os meus miúdos são Super-Miúdos que conseguem proezas a esse ponto!]

domingo, 20 de setembro de 2009

!!!??? ou as pérolas que se ouvem quando se mora ao lado do Jardim Zoológico

"Atenção senhores passageiros do teleférico, é favor não saltarem na cabine, obrigado."





!!!??? Quê????





E o pior... tem direito a bis: "Senhores passageiros do teleférico, é favor não saltarem na cabine, obrigado". Sim, ele repete sempre duas vezes.

O teleférico é bastante alto - óbvio, se não fosse assim, não seria teleférico. Passa por cima dos leões, dos ursos, gorilas e restantes habitantes do Zoo. A maioria destes habitantes são extremamente amistosos...

Ora... saltos nas cabines do teleférico... uhmm... não me parece lá muito inteligente porque se não morres da queda...

O que mais me incomoda é que se uma cabine cai, caem todas. E, pior que a tragédia que daí advém, visto que serão mais os mortos que os sobreviventes, é o que irá acontecer ao Zoológico e a todos os seus habitantes.

Por pura estupidez, ignorância e todos-os-outros-nomes-mesmo-muito-feios-que-me-passam-pela-cabeça-mas-que-não-posso-escrever-aqui-porque-não-me-parece-ser-lá-muito-boa-ideia-porque-não-foi-essa-a-educação-que-a-minha-mãe-me-deu, todo o esforço de uma miríade de pessoas para proteger aqueles animais, aquele espaço... pode cair a qualquer momento.

E alguém faz uma ideia de quantas vezes o pobre do segurança repete aquilo por hora???

[as pessoas que fazem isto mereciam ficar olhos nos olhos com a família do Simba]

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Este post vai ser mesmo chato... (considerem-se avisados).




Em resposta ao comentário da Ritinha (como prometi) e dando continuação ao post anterior.



Durante mais de vinte anos, todos os meus verões eram passados na terra dos meus pais. Eu tenho um tio-avô que, todos os anos me vinha com a mesma conversa:

"Vais estudar muito para seres doutora advogada, vens viver para aqui e vais ser muito rica!"

Mas o que eu queria mesmo era ajudar as pessoas. Por isso, estudei muito mas não foi para ser "doutora advogada" como era sonho do meu querido tio-avô J. E também não fui viver para Cheires. Ora, a conjugação destes dois factores (não ser "doutora advogada" nem viver na terrinha) levaram ao que eu sou hoje (felizmente, muito feliz, apesar de hoje estar com maus - muito maus mesmo - fígados).

Quanto à minha oportunidade de ser rica deixei-a para o sr. doutor advogado lá da zona.

O Toni diz que os advogados são e passo a citar: "burros com boa memória".

(atenção: a citação é do meu Toni, não é minha, pelo que se a carapuça servir a alguém, não me chateiem)

Bem... não parece que sejam totalmente burros. Principalmente, os que decidiram ir exercer a dita profissão lá na terrinha. E, mesmo que seja burro... é um burro rico.

Senão, vejamos: todas as vezes que ligo para o escritório ou consultório ou seja lá o que aquilo for, "o Sr. Dr. está muito ocupado, tem três processos para terminar hoje" e amanhã? "Tem outros dois..." então em que dia? "esta semana vai ser muito complicado, blá, blá, blá".

(se o senhor doutor advogado for tão caro como consta... assim, numa estimativa por baixo... bem: burro não é com certeza ou se for é como disse acima: é um burro com muuiitos euros - que lhe façam bom proveito)

Eu sempre prometi a mim mesma que jamais me iria meter com semelhantes personagens. Infelizmente, os meus avós maternos faleceram e deixaram bens. Pois... partilhas!!! Que bom!!!

Resumo da história:

A irmã A confia na irmã B. A irmã B põe terras da irmã A em seu nome. A Irmã A descobre e pergunta ao advogado da família como pôde. Advogado diz que não tinha motivos para desconfiar da irmã B e por isso tratou de de tudo sem ter perguntado à irmã A. Irmã A pede a advogado para voltar a pôr tudo como estava ao que advogado responde que é quase impossível: demasiado moroso, demasiado dispendioso... "não contando com o pagamento dos meus honorários"(citando o Sr. Dr., numa conversa telefónica comigo). Irmã A aceita acordo injusto porque não tem outra alternativa. Acordo: Irmã B paga em 5 anos - com o dinheiro que as terras da irmã A produzem - um valor irrisório, vergonhoso para quem o vai pagar... necessário para quem o vai receber.

Ontem voltei a ligar para o Sr. Dr. Advogado... o de sempre: "muito ocupado, processos para fechar, blá, blá, blá"... É que não nos disseram mais nada e, como deve calcular, precisamos de saber como é que é... "Ah, porque a Casa do Douro ainda não pagou porque precisa de não sei quê... mas a sua mãe que não se preocupe que está tudo a ser arranjado!"

Estará? Pois, não sei... de drs. advogados, eu espero quase tudo.

O que eu sei é que o meu tio-avô sabia-la toda e eu não lhe dei ouvidos.

[se eu tivesse seguido os conselhos do meu tio-avô, eu como doutora advogada teria estado de Olho Bem Aberto em tudo e ninguém teria roubado ninguém... e a minha mãe não teria tido o desgosto da vida dela por causa da irmã e o meu pai não estaria a sofrer pela atitude do irmão]

ps. que #$%& de família...

#The Day After de Eduard Munch

Se eu não fosse uma menina muuuiiito bem educada...





...diria: WTF???





Enfermeiros e médicos deste país: mas vocês estão todos doidos??? (esta última frase leia-se sublinhada)

O meu pequeno de 4 anos e meio acabou de chegar e, numa euforia típica dele sempre que faz uma grande habilidade, atropelando tudo que é palavra diz-me que não usou fralda nem hoje, nem ontem, nem na sexta.

Quê??? A mãe M. conta-me que o filho já não usa fralda para dormir há três noites... "Desculpa, o quê? Há mais de um ano que o menino não usa fralda, nem para dormir... que conversa é essa???" (mas será que a privação de sono está a alterar assim tanto a minha capacidade de raciocínio ou foi mesmo isso que eu ouvi?)

"Ah, bem... lá em casa ele ainda usa fralda para dormir porque a enfermeira disse que era para continuar a usar fralda. Eu disse-lhe que o menino já não precisava mas ela insistiu porque sim, para ele dormir sem preocupações e não sei o quê. Eu voltei a dizer-lhe que na ama ele já não usa fralda há mais de um ano e ela virou-se para mim, toda arrogante e disse que se eu queria ter máquinas e máquinas de roupa para lavar que, então, tirasse as fraldas ao menino".

Eu sei que o meu fígado, porque blá, blá, blá raiva, está muito alterado, por isso, mesmo sendo uma menina muuuiito bem-educadinha, eu não consigo conter-me (desculpa mãe, eu sei que não foi esta a educação que me deste), então lá vai: WTF???

[Já não chega os médicos terem acordos com as farmacêuticas - e mais recentemente descobri que também fizeram um acordo com a empresa que fabrica a Bolacha Maria - agora são os enfermeiros que têm acordos com a indústria das fraldas e das toalhitas???]

... acho que preciso de um xanax, por favor...

(ou isso, ou um sofá do psicólogo porque eu estou, nitidamente, a enlouquecer com tanta estupidez gratuita!)

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Se ele não quiser, não dê...


Se ele não quiser... o quê?

Desde que trabalho com os meus meninos tenho assistido, incrédula, às afirmações mais incríveis - tanto dos pais, como médicos e enfermeiros.

A frase que ganha é, sem dúvida, esta:

"Ele(a) não quis comer... veja lá, se não quiser comer não insista".

Então é assim: o bebé não quis o jantar, não tomou o pequeno-almoço e, se não quiser almoçar, não precisamos de nos aborrecer. Simplesmente, não insistimos.

A mais recente: "o médico receitou mas se ele não quiser, não dê".

Bem... estamos a ficar todos loucos???

A minha mãe, velhinha nestas andanças - tanto de tomar conta de bebés como de tomar conta dos pais (sim, eles dão bastante mais trabalho que os seus rebentos!!!), pede a comparência de ambos e venha de lá o sermão!

"As crianças não têm quereres! Era só o que faltava! Não querem comer, não se dá comer; não querem água, deixamos-los desidratar; não gostam do medicamento??? Estão à espera que eu deixe de lhe dar o medicamento para ele não chorar? Eu prefiro que ele chore! É preferível que ele chore a comer, a beber água ou a tomar o medicamento que depois chorarmos nós, quando estivermos no hospital a ver o menino a gritar, porque está cheio de agulhas, a soro e sabe-se lá mais a quê!"

Este discurso da minha mãe... já o sei de cor. Mas, infelizmente, a minha mãe tem de repeti-lo vezes sem conta.

Só este ano, a minha mãe teve esta conversa tantas vezes que lhes perdi a conta... ontem, duas pérolas (sim, no mesmo dia!!!):

Um não queria tomar o medicamento, a outra não tinha jantado porque fez birra e a avó insistiu com a mãe que se a menina não quer, não come.

Parece que os pais de agora fazem de tudo para que os bebés não sejam importunados. Deixam-nos fazer tudo o que querem, como querem, às horas que querem. As birras aumentam de intensidade e frequência de mãos dadas com o crescimento da criança...

São bebés... mas, e amanhã? E quando forem adolescentes? Como irá ser?
 
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