Aqui está a minha vida...

... esta areia tão clara com desenhos de andar dedicados ao vento.

Cecília Meiréles

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terça-feira, 7 de julho de 2009

A História da Fotografia [3]

Aqui estou mais uma vez a fugir... será que isto alguma vez irá ter um fim? Espero que ele não me encontre aqui. Será que ele me seguiu? Para onde é que eu vou agora? Para longe... o mais longe possível daqueles ataques repentinos dele... como é que ele pode dizer aquelas coisas... e escolhe sempre as palavras certas, aquelas que ele sabe que vão magoar. Isto tem que acabar. Já chega.

exercício: contar a história de uma fotografia

quarta-feira, 24 de junho de 2009

A História da Fotografia [2]

Hoje os transportes públicos estiveram parados pelo que resolvi ir a pé para o trabalho. Quando vamos de autocarro para algum lado passamos por tudo e vemos nada. A pé é diferente. Parece que tudo se torna mais real.

Passei pelo velho parque de diversões. Tinha os portões entreabertos... espreitei. Estava deserto. Não se via ninguém. Entrei.

Lembrei-me da última vez que lá estive. As luzes, as vozes... gritos de terror. Hoje o silêncio envolvia todo aquele lugar. As máquinas estão paradas, desmontadas.

O velho carrossel ainda estava de pé. Olhei de soslaio. Continuava só.

Subi ao carrossel e sentei-me numa das poucas cadeiras que ainda estavam seguras aos cabos que as prendiam ao topo. Sentei-me a medo... não fosse alguém ver, não fosse tudo desabar.

Fechei os olhos. Mais uma vez senti-me envolvida na magia daquele lugar. As luzes, os sons... ah, com eu queria voltar a ser aquela menina que acreditava que o mundo era um parque diversões. Com muita alegria, muito riso, luzes de todas as cores...

Não, a vida não é um parque de diversões. É mais como aquele velho carrossel. Por mais voltas que dês, acabas sempre por voltar ao início e tens de começar tudo de novo.

A vida é feita de constantes inícios. E, isso, não precisa ser obrigatoriamente, mau. Clarice Lispector dizia que "perder-se também é caminho".

Ah... afinal, sempre estava acompanhada: tiraram-me um fotografia. Fiquei gira, não fiquei?

[upsss... faltei ao trabalho]

exercício: contar a história de uma fotografia

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Cadeia de Palavras [ B ]

Brisa... bailam belos besouros...

Bonita borboleta beija begónia brilhante.

Baixos Bassehounds brincam...

Bolas! Brinquedos! Barafunda!

Boi bufa, berram bezerros, bode bale:

- béu, béu, béu...

- bééé, bééé, bééé...

Bem... belo banzé!!!

- Basta! Braceja Bárbara.

...bebé boceja...


[bshiuuu...]

#Fotografia daqui.

exercício: com a letra disponível criar uma cadeia de palavras que façam sentido

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Inacabados [1]





"Volta a tirar do bolso o papel dobrado e torna a pô-lo junto dos outros pedidos, onde sempre tinha estado."





Matilde regressa a casa convicta que tinha tomado a decisão acertada. Contudo, uma pergunta insiste em atormentar os seus pensamentos: o que é que eu vou fazer, agora?

Toma um longo banho e deita-se... sente-se exausta. Não, agora não irá pensar em mais nada. Todo o seu corpo exige uns momentos de sossego. E adormece.

Acorda, já tarde da noite. O silêncio da noite é interrompido com o repetitivo pupilar do pavão. Lá está ele a lamentar-se..., pensa. Espreita pela janela: a lua vai alta na noite quente. Que quente que está a noite...

Senta-se na cadeira de balanço e beberica um pouco do chá frio. Olha à sua volta... a sala parece maior, a casa... vazia. Como é que tudo isto foi acontecer, porquê?

Já não há nada a fazer. Matilde sabe disso. Ela sabe disso desde o momento em que decidira - nessa tarde - devolver o requerimento.

Amanhã já terá a autorização e os bilhetes de avião. As malas... tenho que fazer as malas...

A escuridão triste e melancólica da noite dá lugar à luz do alvorecer. Os primeiros raios de sol espreitam pelas janelas de toda a casa. Matilde está pronta. Pronta para começar de novo, longe de tudo que a fez feliz, que a fez sofrer.

Só lhe faltava um último adeus.

Tu partiste antes de mim... Sinto tanto a tua falta.

Um último adeus àquele que fora a sua vida, o seu porto de abrigo. Matilde põe uma margarida - a nossa flor - em cima da campa e parte para nunca mais voltar.

#o excerto utilizado como início deste inacabado é da autoria de Patrícia Highsmith, in The Blunder. Fotografia de Tere Arigo.

exercício: usar uma frase retirada de um livro e terminar a história

domingo, 14 de junho de 2009

A História da Fotografia [1]


Fotografia de Equivoque

(Já chegaste... deves vir cego de raiva como sempre e vai começar tudo de novo. Se ao menos descarregasses essa tua frustração só em mim. O nosso filho é o único inocente no meio disto tudo.)

- Shhh... o pai já chegou... mas não te preocupes, meu bebé: a mãe está aqui e não vai deixar que nada te aconteça.

[inocente, o bebé sorria...]

exercício: contar a história de uma fotografia

sábado, 13 de junho de 2009

Cadeia de Palavras [ A ]

Antes ardil, agora atroz. A abominável anaconda afoga afectos abocanhando almas antes amigas. Arrogante, adora atenção. Amaldiçoa amantes, asfixia amizades, afasta amores...


A anaconda acaba assim: azeda...

#imagem de Bruna Brum...

exercício: com a letra disponível criar uma cadeia de palavras que façam sentido
 
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