Aqui está a minha vida...
... esta areia tão clara com desenhos de andar dedicados ao vento.
Cecília Meiréles

Aqui estou mais uma vez a fugir... será que isto alguma vez irá ter um fim? Espero que ele não me encontre aqui. Será que ele me seguiu? Para onde é que eu vou agora? Para longe... o mais longe possível daqueles ataques repentinos dele... como é que ele pode dizer aquelas coisas... e escolhe sempre as palavras certas, aquelas que ele sabe que vão magoar. Isto tem que acabar. Já chega.
exercício: contar a história de uma fotografia

Hoje os transportes públicos estiveram parados pelo que resolvi ir a pé para o trabalho. Quando vamos de autocarro para algum lado passamos por tudo e vemos nada. A pé é diferente. Parece que tudo se torna mais real.
Passei pelo velho parque de diversões. Tinha os portões entreabertos... espreitei. Estava deserto. Não se via ninguém. Entrei.
Lembrei-me da última vez que lá estive. As luzes, as vozes... gritos de terror. Hoje o silêncio envolvia todo aquele lugar. As máquinas estão paradas, desmontadas.
O velho carrossel ainda estava de pé. Olhei de soslaio. Continuava só.
Subi ao carrossel e sentei-me numa das poucas cadeiras que ainda estavam seguras aos cabos que as prendiam ao topo. Sentei-me a medo... não fosse alguém ver, não fosse tudo desabar.
Fechei os olhos. Mais uma vez senti-me envolvida na magia daquele lugar. As luzes, os sons... ah, com eu queria voltar a ser aquela menina que acreditava que o mundo era um parque diversões. Com muita alegria, muito riso, luzes de todas as cores...
Não, a vida não é um parque de diversões. É mais como aquele velho carrossel. Por mais voltas que dês, acabas sempre por voltar ao início e tens de começar tudo de novo.
A vida é feita de constantes inícios. E, isso, não precisa ser obrigatoriamente, mau. Clarice Lispector dizia que "perder-se também é caminho".
Ah... afinal, sempre estava acompanhada: tiraram-me um fotografia. Fiquei gira, não fiquei?
[upsss... faltei ao trabalho]
exercício: contar a história de uma fotografia
Brisa... bailam belos besouros...
Bonita borboleta beija begónia brilhante.
Baixos Bassehounds brincam...
Bolas! Brinquedos! Barafunda!
Boi bufa, berram bezerros, bode bale:
- béu, béu, béu...
- bééé, bééé, bééé...
Bem... belo banzé!!!
- Basta! Braceja Bárbara.
...bebé boceja...

[bshiuuu...]
#Fotografia daqui.
exercício: com a letra disponível criar uma cadeia de palavras que façam sentido

"Volta a tirar do bolso o papel dobrado e torna a pô-lo junto dos outros pedidos, onde sempre tinha estado."Matilde regressa a casa convicta que tinha tomado a decisão acertada. Contudo, uma pergunta insiste em atormentar os seus pensamentos:
o que é que eu vou fazer, agora?
Toma um longo banho e deita-se... sente-se exausta. Não, agora não irá pensar em mais nada. Todo o seu corpo exige uns momentos de sossego. E adormece.
Acorda, já tarde da noite. O silêncio da noite é interrompido com o repetitivo pupilar do pavão.
Lá está ele a lamentar-se..., pensa. Espreita pela janela: a lua vai alta na noite quente.
Que quente que está a noite...
Senta-se na cadeira de balanço e beberica um pouco do chá frio. Olha à sua volta... a sala parece maior, a casa... vazia.
Como é que tudo isto foi acontecer, porquê?Já não há nada a fazer. Matilde sabe disso. Ela sabe disso desde o momento em que decidira - nessa tarde - devolver o requerimento.
Amanhã já terá a autorização e os bilhetes de avião.
As malas... tenho que fazer as malas...A escuridão triste e melancólica da noite dá lugar à luz do alvorecer. Os primeiros raios de sol espreitam pelas janelas de toda a casa. Matilde está pronta. Pronta para começar de novo, longe de tudo que a fez feliz, que a fez sofrer.
Só lhe faltava um último adeus.
Tu partiste antes de mim... Sinto tanto a tua falta.Um último adeus àquele que fora a sua vida, o seu porto de abrigo. Matilde põe uma margarida -
a nossa flor - em cima da campa e parte para nunca mais voltar.
#o excerto utilizado como início deste inacabado é da autoria de Patrícia Highsmith, in The Blunder. Fotografia de Tere Arigo.
exercício: usar uma frase retirada de um livro e terminar a história

Fotografia de Equivoque
(Já chegaste... deves vir cego de raiva como sempre e vai começar tudo de novo. Se ao menos descarregasses essa tua frustração só em mim. O nosso filho é o único inocente no meio disto tudo.)
- Shhh... o pai já chegou... mas não te preocupes, meu bebé: a mãe está aqui e não vai deixar que nada te aconteça.
[inocente, o bebé sorria...]
exercício: contar a história de uma fotografia
Antes ardil, agora atroz. A abominável anaconda afoga afectos abocanhando almas antes amigas. Arrogante, adora atenção. Amaldiçoa amantes, asfixia amizades, afasta amores...

A anaconda acaba assim: azeda...
#imagem de Bruna Brum...exercício: com a letra disponível criar uma cadeia de palavras que façam sentido