Aqui está a minha vida...

... esta areia tão clara com desenhos de andar dedicados ao vento.

Cecília Meiréles

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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

As crianças são o melhor do mundo...


... ou não.

Eu e o Samuel fomos passear o João ao jardim... e fomos "corridos" a chuva de pedras por dois miúdos instigados por uma terceira.

Idades? Para aí uns treze, não mais que isso.

O Samuel? Ficou a tremer todo...

Eu? Também tremia...

A minha vontade?

Não digo. Seria muito mas mesmo muito politicamente incorrecto.

Mas que crianças são estas?!

[Ainda tentei dizer-lhes que tinha um bebé ao meu lado... mais pedras... lembrei-me dos meus tempos da preparatória... tinha dez anos, era uma menina. De noite, eu rezava. Se Deus tinha parado o mundo para aquela batalha - uma história que tinha ouvido na catequese - também podia fazê-lo parar se eu rezasse muito. Mas, nunca parou. E, todas as manhãs, lá ía eu para a escola, cheia de medo. Um dia, consegui fugir delas - um grupinho de miúdas giras super populares que até andavam na ginástica do Benfica e tudo! - e corri até ao pé dos meus professores e contei-lhes que a M.J. tinha lá ficado, que eles tinham que nos ajudar... mas não quiseram saber... e... eu não tive coragem de voltar... e não há um dia sequer que eu não me lembre que abandonei a minha melhor amiga às mãos daquelas miúdas giras super populares que até andavam na ginástica do Benfica e tudo, sem que me sinta uma imensa vergonha e uma profunda tristeza.]

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Este blog está doente... [ parte II ]

Estive a tratar dos almoços dos meus bebés. A manga estava tão (mas tão, tão, tããõoo) madurinha e cheirava tão bem... não resisti. Meti o caroço na boca. Que bommm...

Se já estou como estou, quero ver logo, quero...

Estúpida elevada ao cubo :|

Este blog está doente...

Ontem. Melancia. Teste do amido positivo. Gula vence. Duas fatias ENORMES de melancia. Klebsiella Pneumoniae faz festa. EA ataca... dói muito... muito... tanto. Estúpida.

Bem feita :|

sexta-feira, 3 de julho de 2009

As mochilas e o medo...


(c) Tere Arigo

Ontem descobri que sou preconceituosa. Sinto-me tão (mas tão) envergonhada...

Quando saí do trabalho, apanhei o meu autocarro para ir para casa. Estava tão cansada... um bebé esteve doentinho e estas situações exigem o dobro da atenção (graças a Deus, ele já está bem melhor, hoje).

De volta ao autocarro: entram dois rapazes de origem árabe, de mochila ao ombro e sentam-se. Um senta-se numa cadeira ao lado da janela, colocando a mochila na cadeira do lado (que dá para o corredor). O outro rapaz faz precisamente o mesmo, mas do outro lado do autocarro. Conversam na língua deles, sempre com as mãos nas mochilas.

É aqui que me apercebo que estou a reparar em todos os pormenores da acção. Logo eu que vou sempre tão distraída que, muitas vezes, falho a minha paragem de destino.

Começo a ficar nervosa: tento perceber possíveis gestos recriminatórios, alguma palavra familiar num discurso que me é tão estranho. Um qualquer movimento, qualquer coisa...

Próxima paragem... saio? Não! Estás a ser ridícula!

A certa altura um dos rapazes carrega no botão para sair. "Se ele deixar a mochila para trás, eu saio de imediato", pensei. Estava apavorada...

O rapaz saiu e levou a sua mochila, claro. Duas paragens a seguir, saiu o outro rapaz (sim, com a mochila ao ombro).

Respirei fundo...

Só quando cheguei a casa é que me apercebi da gravidade do problema: eu, que estou sempre a criticar os xenófobos que me rodeiam (que infelizmente, não são assim tão poucos), sou igual a eles.

Poderia dizer que a culpa é de alguns americanos que, de tão desejosos que estavam para brincar às guerras, conseguiram envolver-nos numa invisível nuvem de medo. Poderia...

Dizer que me sinto profundamente envergonhada não é o suficiente para me redimir perante a comunidade arábe. Espero, sinceramente, que situações como esta não se voltem a repetir. Eu nunca fui assim, não quero agora começar a sê-lo.
 
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